domingo, 18 de março de 2012

Estranho ninho

Um recém-nascido
acaba de chegar ao mundo
E nem ao menos lembra
das penas macias do seu refúgio

de repente está em outro ninho;
que nem quente                                            nem frio;                                                     inconsciente, é construído sobre a rocha

Sem referência                                                                                                            Sem transcendência                                      
Sem sentimento de pertença                                           
Sem o nutriente do tecido glandular


Movido por afetuosos laços de subterfúgios
é lançado na fase adulta ainda criança
e sem trânsito pela adolescência
se torna um pássaro com medo de voar


E ignorando a sua adversidade
cobram-lhe compaixão e solidariedade
de quem nunca na verdade
na vida se vinculou



domingo, 22 de janeiro de 2012

Musa inspiradora

-Oh lua!
Daí de cima tudo podes ver
e cheia de mistérios
guarda todos os segredos

És bela na aparência
e mesmo distante
com teus encantos
nos seduz
                                              


Esses teus ares enamorados
influencia a todos nós
fazendo que sejamos tão românticos...
Uns eternos apaixonados!


 
-Oh lua!
Radiante e resplandecente
apesar de indiferente...
Tu és uma musa inspiradora!


Quando olho para o céu é quase sempre para procurar a lua. Ela me atrai como um imã e vê-la me remetem a sentimentos de mulher apaixonada que não perde a alegria de cultivar dentro de si uma alma feminina romântica e cheia de amor para dar.  E neste êxtase fico a imaginar o grande poeta que criou com tanto esplendor esta rainha da noite.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

No Imbuí de Salvador

Preservação do ecossistema                   Ecologia equilibrada
Sustentabilidade
Palavras vãs no Imbuí de Salvador

O Rio das Pedras pede socorro
agonizando em seu leito
mesmo com o grito abafado
ouço-o mendigar amor

Sem dó nem piedade
estão lhe matando aos poucos
Vivo, foi decapitado                          
Em pedaços, enterrado

Trancafiado em seu tunel                         Ficou dificil respirar                          não pode mais brincar com a lua
nem com as estrelas namorar

Eu que nunca me banhei nele
sinto em mim a sua dor
pois é de sua natureza correr livre
a luz do dia e depois do sol se pôr

Quando vi o Rio das Pedras sendo empurrando para debaixo do concreto me cortou o coração! O que acontecerá com a vida que ele ainda carrega? Por que não foi feito um belo projeto de revitalização? Por que não despoluir e recuperar esse recurso hídrico da cidade, tendo como conseqüência mais um elemento de contemplação da população? Por que foi escolhido o caminho do cimento e do asfalto? E assim vamos nós seguindo mais uma vez na contramão do orgulho baiano...



sábado, 5 de novembro de 2011

Poesia encomendada

Escrever poesia é como lavar roupa a mão...
além de bater, esfregar, torcer
e passar bastante sabão
tem que ter paciência e muita dedicação

As vezes, para nossa alegria, nos chega inteirinha
escrita de uma só vez;
outras vezes vem por partes...
um pedacinho aqui, outro pedacinho acolá

Como também surge de forma inusitada
ora dirigindo numa estrada
outra num hotel de madrugada
sem papel ou lápis para anotar
                                
Difícil mesmo é a encomendada
pois forçada é a sua parição
com os minutos e a hora marcada
e o tempo certo de gestação



    E essa nasceu
   á-toa               
   Paradoxal
   Sem compromisso
   Poesia de ocasião

O meu grupo de teatro nasceu como algumas crianças nascem; sem nome que o identificasse. Fiz uma lista de 50 (cinqüenta) nomes e de forma bem democrática por maioria de votos venceu o nome SoRisos.  No dia em que o grupo foi batizado, nessa mesma ocasião, surgiu um forte desejo do grupo por uma poesia que sintetizasse a sua trajetória. E a mim foi encomendada a criação. O que me deixou numa sinuca de bico. E foi esse dilema que me inspirou o poema da situação em questão.

domingo, 2 de outubro de 2011

Caindo na real


O laço de fita
e a roupa que me faz bonita
distanciou-me de ti

O abraço já não toca a pele
a veste que me protege
criou uma armadura de cetim

Vazia tornei-me, sem essência
                                                              vivo hoje de aparência
                                                             com cheiro artificial de jasmim

Subestimei esse traje ornado,
capa de seda moldada, dia após dia
como uma barreira de gelo entre nós

Quero abominar essas futilidades
e seus adornos de superficialidades 
para tê-lo de novo pertinho de mim

Como é difícil a gente se desnudar perante o outro! Tanto por dentro se esvaziando do egoísmo, arrogância, inveja e preconceitos, como por fora tirando a mascara social. E essa então se torna tão intrínseca que passa a ser à parte de nós que nos identifica e ao mesmo tempo nos separa uns dos outros. Em seu livro Parem de falar mal da Rotina, Elisa Lucinda retrata muito bem esse paradigma quando diz: “Ora, o homem quando está nu é igual ao seu semelhante. O homem nu é o homem real, despido das ilusões separatistas. Sua condição de necessitador de comida, bebida, saber e amar é igual a do outro. Variam doses e porções, mas não se prescinde do verbo necessitar. Se nos despimos de nossos códigos que nos etiqueta em categorias, somos pobres humanos (e dessa condição, ricos) de iguais direitos e deveres”.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

As aparências enganam

  
No cheiro do seu verde musgo
exala uma forte fragrância
exuberante de virilidade
e requintada elegância

Diante de tanta altivez
desabrochou
uma flor lilás suave
de pétalas sensuais


Inesperado ver brotar             Vestida de frágil aparência
naquele pé masculino             na sua essência
mimosa, bela e singela           esconde um misto de audácia
um botão de flor feminino       e determinação

Essa flor delicada e pequenina                                             
camuflada em meio a tantas outras
no pé de manjericão do meu jardim

ostentou sua presença
e sem interferência
atraiu um beija-flor

Um pé de manjericão plantado na jardineira do meu APÊ virou poesia! Não é que ao observar crescer seu caule e folhas um belo dia eu vi  nascer uma flor  lilás pequenina e muito delicada! Não sabia que do manjericão brotava flor! São nessas pequenas descobertas que vejo a grandiosidade da vida. Isso me encanta! Como pode uma simples sementinha guardar a perfeição de uma flor nos seus ínfimos detalhes?

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Meu desejo é ficar

Tão pequenino
Dentro d’água
Vivo tranqüilo
Nem preciso pensar

De tudo a hora
Não me falta nada 
Casa e comida
Quero aqui ficar


     Quando de repente
      Tudo sacode
      Um terremoto
      O que será?
  
      E contraído
      Sendo empurrado
      Estou sufocado
      Vão me expulsar                 


Agora estou fora                 —Seja bem vindo!
Desamparado                     —Buá! Quero voltar...    

Quando perguntei ao meu sobrinho de quatro anos de que se tratava a poesia, ele me disse que eu estava falando de um peixinho que pulou fora do aquário por que estava com medo do gato.  Falei que ele tinha razão, pois olhando agora com os seus olhos também tenho a mesma percepção.
O interessante da poesia é que cada um faz a sua viagem. E essa pode ser uma outra completamente diferente da vivenciada pelo autor.