Simplicidade




Arraigada dentro d’alma
Revela-se à flor da pele sem vaidade
Persegue fiel ao sentimento do coração
Não se deixa levar pela submissão

Bela na sutileza dos seus gestos
Ausente no emprego de artifícios
Presente no tocante à emoção
Atua modesta na sua realização

                                       Transparente como um cristal
                                       Leve como um floco de algodão
                                       Múltipla no infinito espaço sideral
     Única no propósito claro da ação

    Voa nas asas da borboleta
    Alimenta-se como um beija-flor
   Sorri nos lábios de uma criança
   Pega na mão do seu amor

  Uma semente que germina
  Pássaros que voltam ao seu lar
  A doce ternura de uma menina
  O velho saber de cativar

Serena, pousa no instante
Do essencial faz sua constante
Sem rodeios, sem conflitos...
Contenta-se em ser só o que é


Gosto das coisas simples, sou assim desde criança, não adianta alguém querer que eu seja sofisticada, patricinha, dondoca ou madame, nem tão pouco extrovertida ou espalhafatosa, isso não combina com meu temperamento.

Quanto mais simples o gesto mais aguça a minha curiosidade. Foi neste observar solto que no dia da estréia de Lisistrata vi meu diretor, Lucas Mariane, arrumando as cadeiras na platéia do teatro, acomodando sensivelmente as pessoas, colocando na frente os mais idosos e de difícil locomoção. Aquele gesto chamou minha atenção. Ele, nosso diretor, um rapaz jovem, que, na sua condição hierarquicamente superior, poderia ficar apenas de camarote, fazendo só o que lhe diz respeito. Não! Estava ali dando o maior apoio. Foi naquele momento que surgiu os primeiros versos inspirados num comportamento com toda simplicidade de ser.

De mãe para mãe

Mãe ouça com atenção
Um filho é o milagre da vida nas mãos
A força e a coragem
Garra pra lutar e vencer

Um filho é uma dadiva
Um porto seguro,
Uma estrela guia
A base do benquerer




Por ele temos a magia do canto nos lábios
O alimento nos seios
Os pés enfincados no chão
E o amor no coração

Por ele caminhamos
Buscamos
Reanimamos
E nunca mais nos sentiremos sozinhas

Por ele, tudo vale a pena...


Meu primeiro grande amor foi Fernanda, meu segundo... Lorena, o terceiro...Gisele e o quarto grande amor da minha vida é minha netinha Catarina e no meu coração sempre vai caber novos grandes amores, porque ele não tem limites. 
E ainda existe em mim aquele amor de alma que é anterior a própria existência: Este amor se chama "Zel".  
O título do poema "De mãe para mãe" devo a Sibelle Lelis, grande atriz e Diretora de Teatro.